quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Entrevistas: A experiência de inclusão digital da terceira idade realizada no Projeto Mulheres Charqueadenses

Foto - COEX, IFSul Charqueadas



Textos - João Adolfo Guerreiro
Entrevistas - Daniele Anselmo, Felipe Oliveira e Liliane Reis

Já havíamos mencionado anteriormente aqui no Turma do Fundão a experiência da COEX do IFSul Charqueadas ocorrida no Projeto Mulheres Charqueadenses, onde mulheres da terceira idade participaram de oficinas de inclusão digital no ano de 2012. 
Resolvemos ir atrás de maiores informações, entrevistando uma de suas coordenadoras do projeto e algumas alunas.

Em primeiro lugar, a entrevista com Andreia Collares, coordenadora do Projeto:




TURMA DO FUNDÃO - Andreia, você entende que a inclusão digital é também inclusão social?
Andréia Collares - Sim, pois através da inclusão digital o acesso ao conhecimento se torna presente no cotidiano das alunas. Isso traz a possibilidade de conhecer e buscar direitos, intervir no meio onde vivem, dialogar com outras pessoas sobre situações de sua vida diária. Enfim, a inclusão digital pode anunciar descobertas capazes de promover a inclusão social.
TDF - Para que a inclusão digital aconteça, é necessário também o indivíduo estar num certo grau de inclusão social?
Adreia - Sim, pois estando incluído socialmente o indivíduo passa a ser sujeito de sua história, permitindo que acesse possibilidades que possam modificar sua maneira de ser/estar no mundo.
TDF - No caso da terceira idade essa relação entre inclusão digital e social tem alguma característica específica, a seu ver,tendo como base a experiência do Proijeto?
Andreia - Na terceira idade a inclusão digital ganha outros aspectos que julgo importantes: a interação com o outro, a descoberta de novos conhecimentos, o sentir-se “socialmente” ativo, a troca de informações...
TDF - No Projeto Mulheres Charqueadenses, como foi trabalhada, especificamente, a inclusão digital das mulheres da terceira idade?
Andreia - Trabalhamos a inclusão digital em encontros quinzenais, nos Laboratórios de Informática do Câmpus Charqueadas, onde os monitores eram estudantes  do curso de informática, sob a supervisão dos coordenadores do projeto. As aulas foram planejadas a partir de uma pesquisa com as participantes para que se pudesse ter uma noção do nível de conhecimento de cada uma e assim fossem formadas as três turmas, com conteúdos diferenciados.
TDF - Qual o balanço que você faz das oficinas realizadas no Projeto em relação as mulheres da terceira idade? O nível de inclusão digital obtido ficou dentro do esperado ou foi satisfatório?
Andreia - Minha avaliação é super positiva, tanto em relação aos alunos monitores  como para todas as mulheres que participaram do projeto. As aulas foram planejadas atendendo a expectativa das alunas e diante do nível que elas se encontravam.O ambiente alegre em que as aulas aconteciam deixaram marcas positivas de vida em cada uma delas.

Em seguida entrevistamos três alunas do curso, todas integrantes da geração BB: Dione Vieira (67), Ivone Guerreiro (69) e Miracir de Souza (55), às quais propomos um questionário padrão com as seguintes perguntas:
TURMA DO FUNDÃO - O que você sabia sobre computadores antes de participar das oficinas do Projeto Mulheres Charqueadenses? Sabia usar? Acessava Internet?
Dione - Não, era um zero à esquerda. Não sabia usá-lo, nem a Internet.
Ivone Guerreiro - Não sabia nada.
Miracir Souza - Não sabia nada. Nem ligar, nem acessar o computador

TDF - Você sentia necessidade ou vontade de usar computador e Internet antes das oficinas do Projeto?
Dione - Sim, sentia necessidade, pois queria artesanatos, culinárias, e através da tecnologia informática poderia tirar minhas dúvidas.
Ivone - Sim.
Miracir - Sentia vontade de ter a facilidade de entrar na internet e conhecer as pessoas; de conversar, mandar email e mensagens para as amigas.

TDF - O que você mais gostou de aprender nas oficinas do Projeto?
Dione - Internet.
Ivone - Descobrir coisas, pesquisar.

Miracir - O que mais gostei foi a oportunidade de aprender coisas novas, a linguagem de computador. Adorei digitar textos.

TDF - Depois das oficinas do Projeto você passou a utilizar computadores? Redes sociais? Se sim, como você os usa?
Dione - Computadores sim, procurando o que quero para sanar minhas dificuldades, mas achei pouco tempo de orientação.
Ivone - Não tenho computador, mas se tenho acesso gosto de pesquisar.
Miracir - Sim, sempre peço a ajuda das filhas.

TDF - A sua vida melhorou depois que você aprendeu a utilizar a linguagem digital? Se sim, como?
Dione - No momento consegui melhorar, mas preciso de mais orientação.
Ivone - Sim, aprendi uma novidade, para mim desconhecida.
Miracir - Melhorou pois a facilidade de saber informações mais rápido, como na internet ver as fotos da netinha, saber noticias das pessoas e no email, quando nas aulas, conversava, mandava mensagem com as amigas.

TDF - Depois das oficinas, você se sente mais incluída socialmente por estar incluída digitalmente?
Dione - Não, precisarei de mais oficinas.
Ivone - Sim.
Miracir - Sim, me senti integrada, fazendo parte da sociedade; na verdade, antes me sentia a parte, não incluída na era digital.
Dione e Ivone, juntas, ao fundo
Miracir

3 comentários:

  1. Muito legal pessoal do Turma do Fundão,a iniciativa de realizar a entrevista com os integrantes deste projeto demonstra o interesse do grupo em enriquecer seu blog com assuntos interessantes!
    parabéns

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  2. Muito Bom!!!

    Fica o desafio: além de excelentes projetos como o Mulheres Charqueadenses, como podemos, em casa, com nossos pais, avós, etc. fazer com que eles tenham contato com o mundo digital?

    Que tipo de ações podemos realizar com eles para que tenham a oportunidade de experimentar um pouco dassa "virtualidade"?

    Até Mais!

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    1. Professor Fábio, interessante que o seu comentário venha de encontro a uma iniciativa que a criação do blog e a disciplina me levaram a fazer. Minha sogra, de 60 anos, é uma pessoa que tem apenas os anos iniciais do ensino fundamental, antigo primário. Falei com ela e fiz umas perguntas sobre inclusão digital na mesma linha das entrevistas contidas nesse post. Daí tive a idéia de perguntar se ela queria ser incluída digitalmente. Ela afirmou que sim. Estou , logo, encaminhando isso para ela, via as pessoas de nossa família que são incluídas digitalmente: eu, minha esposa, o meu cunhado mais novo e minha filha, neta dela. Até criamos um slogan para tal: Incluindo Miss eva, eh eh eh eh. Se não fosse pelos debates da disciplina e a a partir do tema do blog, eu acho que não teria tido essa iniciativa, sinceramente. Um abraço professor.

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